Fraude empresarial: um guia para te ajudar a proteger o seu negócio

Gestão
fraude empresarial

A fraude empresarial é um problema sério de gestão, podendo consumir até 5% do faturamento, segundo um estudo da Association of Certified Fraud Examiners (ACFE). Apesar de não parecer muito, lembre-se que quanto maior a empresa, maior também o impacto do dano.

Na verdade, o que importa mesmo não é tanto o prejuízo causado, mas em exercer um controle efetivo para que as fraudes não se tornem um problema estrutural. É o que acontece quando práticas ilícitas passam a fazer parte das rotinas da empresa, reduzindo sua lucratividade em longo prazo.

O comportamento desonesto deve ser desencorajado pela adoção de mecanismos de vigilância e pela instituição do compliance, entre outras medidas. É preciso considerar também que a fraude é um mal que afeta desde a microempresa até a grande multinacional. Portanto, não há organização que esteja imune aos seus efeitos nocivos.

Como mitigar, então, essas consequências e evitar que desvios se tornem frequentes? De que maneira blindar um negócio, tornando-o menos exposto à ação de pessoas mal-intencionadas? As respostas para essas e outras questões serão conhecidas neste artigo.

A Serasa Experian traz para você uma visão panorâmica da fraude, suas causas e de que forma você poderá evitá-la em seu negócio. Boa leitura!

O que é a fraude empresarial?

Você já assistiu reportagens em TV, rádio e jornais tratando de casos de funcionários públicos envolvidos em prevaricação ou peculato? São termos próprios do meio jurídico, usados para designar a conduta ilícita em virtude de um cargo ou função privilegiada. A fraude empresarial é mais ou menos isso, ou seja, é a situação em que uma pessoa se aproveita de uma posição dentro de uma empresa para praticar delitos.

É um pouco diferente do estelionato, modalidade de crime em que uma pessoa se aproveita da boa-fé de terceiros para induzi-las ao erro e, assim, se apropriar de algo indevidamente. Quando isso acontece no contexto de uma empresa, estamos lidando com a fraude empresarial.

Ainda existe o risco de fraude nas empresas?

O Relatório Global de Fraude & Risco 2017/2018 da Kroll, multinacional de investigações corporativas, traz importantes revelações sobre a fraude no nível empresarial. De acordo com o estudo, o roubo ou perda de informações sigilosas é o tipo de fraude mais recorrente, afetando 29% das empresas consultadas.

Nesse aspecto, colaboradores e ex-colaboradores são apontados como os principais executores das fraudes, tendo participação em 81% dos casos documentados. Portanto, o que se pode inferir a partir desses números é que na maioria dos casos o “inimigo” pode estar dentro da empresa.

Por sua vez, o inimigo externo não é menos digno de preocupação. O cibercrime desponta como o grande vilão a ser combatido, já que atinge desde o usuário mais básico até CEOs de grande empresas. É o que ocorre em golpes, nos quais hackers empregam táticas de Business Email Compromise (BEC), também conhecida como CEO Fraud.

Embora práticas como a consulta ao CPF e CPNJ ainda sejam fundamentais para evitar negócios com fraudadores, é preciso ainda mais se proteger. Tudo começa ao identificar quais tipos de delitos e ações fraudulentas são recorrentes no meio empresarial.

Quais são os tipos de fraudes mais comuns?

Voltando ao relatório da Kroll, foi revelado que, em 2017, 74% das empresas brasileiras foram vítimas de fraudes em pelo menos um ano. Nesse ranking, o roubo de mercadorias e bens em estoque foi apontado como o mais recorrente, correspondendo a 56% dos episódios.

Contudo, sabe-se que o leque de possibilidades dos fraudadores é bastante extenso. O roubo ou furto qualificado é apenas a modalidade mais elementar de fraude, que pode se materializar de diversas formas.

Considerando os estudos disponíveis e a nossa experiência, podemos destacar alguns tipos de fraudes como frequentes no contexto empresarial. Confira!

Roubo de informação

A escalada do crime virtual trouxe à tona uma modalidade que, com a internet, tende a se propagar em escala global, o roubo de dados. A questão é realmente muito séria, tendo em vista que grandes corporações transnacionais também são vítimas desse tipo de fraude. É o que se pode constatar pelo ranking elaborado pela Business Insider, que lista os 21 casos mais graves de roubo de informações em 2018.

Até mesmo o Facebook, com toda a blindagem à disposição, não conseguiu evitar um golpe que prejudicou 4 milhões de usuários em todo o mundo. A fraude, nesse caso, teve como agente o aplicativo myPersonality, que repassava dados sigilosos de perfis para outras empresas.

Cheques falsos

Embora o uso de talões de cheque esteja em declínio no Brasil, essa ainda é uma forma de pagamento usada em larga escala. Também vale destacar que em 2018 a Serasa Experian registrou o menor índice de cheques devolvidos em um período de 8 anos.

Ainda assim, o uso de cheques em nome de terceiros ou de empresas para fins fraudulentos é uma ameaça que continua a preocupar. Veja, por exemplo, o caso de um funcionário público em Goiás, em 2015. Ele se aproveitava da condição de servidor para fazer compras no comércio local com cheques sem fundo em nome do órgão em que era lotado.

Ou seja, toda empresa está sujeita a ser vítima de cheques emitidos indevidamente, seja em seu nome ou como receptora de pagamentos. Por isso, toda precaução é válida no sentido de evitar esse delito, desde a consulta ao banco de dados Serasa Experian ao cadastro de clientes.

Cartões clonados

As fraudes envolvendo cartões constituem outro problema grave para consumidores e empresas. Quando uma empresa se envolve nesse tipo de fraude, mesmo que não seja responsável, tem a sua reputação inevitavelmente manchada.

Esse é um problema que afeta particularmente o e-commerce especialmente para compras no crédito. Um perigo muito comum para o e-commerce é o teste de cartão. Nesse golpe, o usuário é induzido a inserir os dados do cartão em sites sem blindagem e em compras de valor baixo. Uma vez que a transação é validada, o hacker consegue confirmar que o cartão não está bloqueado ou sem limite, podendo assim utilizá-lo em benefício próprio.

Documentos falsos

De acordo com o Indicador de tentativas de fraude Serasa Experian 2017, o uso de documentos falsos ou roubados para compra de celulares é o tipo de golpe mais praticado por criminosos. Essa é apenas uma entre tantas formas de se adulterar ou falsificar documentos para agir ilicitamente em nome de outras pessoas.

No âmbito empresarial, documentos falsos podem ser usados para tirar proveito de forma irregular, por exemplo, em processos licitatórios. É uma maneira que PJs encontram de extrair vantagens em contratos com órgãos públicos, normalmente assinados por períodos maiores.

Para evitar esse tipo de fraude, os documentos apresentados devem ser verificados em aspectos como:

  • qualidade da fotografia e conferência de assinatura;
  • dimensões e posições de brasões e símbolos;
  • tipo de material do documento (os verdadeiros são em papel moeda);
  • quantidade de algarismos no número, idade do titular e órgão expedidor;
  • formato e consistência de marcas d’águas, hologramas, relevos e selos.

Além disso, é sempre válido perguntar para a pessoa que apresenta o documento dados mais detalhados como filiação, data e local de nascimento. Em geral, um fraudador apresenta sinais de nervosismo quando questionado sobre esses dados.

Roubo de bens

Vimos no relatório da Kroll que o roubo é o tipo de fraude mais comum nas empresas avaliadas. O motivo nesse caso é o fato de ser o tipo de delito mais fácil de ser cometido, desde que haja oportunidade. Em muitos casos, basta que o criminoso encontre uma facilidade para praticar roubos recorrentes.

Para o setor de serviços e comércio em especial, um tipo de roubo com desdobramentos mais negativos é o de carga. Além do prejuízo que as empresas amargam com a perda de mercadorias, há ainda o acréscimo nos custos com segurança e fretes.

Outro impacto grande, segundo um estudo da Fecomércio, é o crescimento do mercado informal. Abastecido com mercadorias roubadas, ele cresce paralelamente à escalada de roubos. Prova disso é o aumento das taxas de desemprego e do número de cargas roubadas entre 2014 e 2017.

Em relação ao roubo interno, resta às empresas tomar cuidados adicionais em relação à vigilância e à proteção de mercadorias em estoques e pontos de venda. Circuito de câmeras e centrais CATV ajudam a inibir a ação de funcionários corruptos, servindo ainda como prova caso algum roubo ou furto venha a ser detectado.

Já o roubo de cargas pede cuidados adicionais em relação à cadeia logística. Evitar rotas com altos índices de ocorrências ou mesmo investir em frota própria, caso compense, são medidas que podem mitigar o problema.

Furto

O furto, assim como o roubo, acontece em grande parte quando um potencial criminoso se depara com a oportunidade. Nesse sentido, o Instituto Brasileiro de Executivos de Varejo e Mercado de Consumo (IBEVAR) aponta para as mercadorias mais furtadas em lojas. Nesse ranking os campeões são:

  • jogos eletrônicos — 10,6%;
  • smartphones — 8,3%;
  • artigos esportivos — 4,9%;
  • equipamentos de foto e filmagem — 4,5%;
  • eletrônicos — 4,2%.

Os furtos são um problema que afeta de forma mais contundente o setor varejista, com destaque para supermercados. Como aponta a 18ª Avaliação de Perdas no Varejo Brasileiro, da ABRAS, só com esse tipo de fraude, contabilizaram-se, em 2017, perdas no valor de R$ 6,4 bilhões.

Da mesma forma que o roubo, para evitar furtos, a medida de segurança número 1 é investir em vigilância. Também é válido promover cursos e palestras sobre prevenção de perdas. Nesses eventos, colaboradores podem ser alertados sobre os riscos da má conduta e sobre os reflexos das perdas com furtos nos resultados da empresa. Afinal, uma loja que não lucra não terá como pagar salários e bonificações no início do mês.

Corrupção

Um problema endêmico no Brasil e que leva inclusive à falência de empresas é a corrupção. O que parece existir é uma cultura que favorece a disseminação de práticas, no mínimo, pouco ortodoxas. É o que indica a 15ª Global Fraud Survey, da consultoria Ernst & Young. Na pesquisa, 96% dos entrevistados brasileiros afirmaram que condutas como suborno e corrupção são frequentes nos negócios.

O combate à corrupção passa, necessariamente, pela implementação de um setor de compliance. Resumidamente, os profissionais desse segmento se dedicam ao controle e observância do cumprimento de normas nas empresas. Dessa forma, garantem a adesão aos princípios éticos, evidenciando a preocupação constante com a lisura nos processos para os públicos externos e internos da empresa.

Favorecimento

No meio político e até no funcionalismo público, são recorrentes as notícias dando conta de parlamentares que empregam parentes e conhecidos em postos chave. Nas empresas, o mesmo fenômeno acontece, seja ao contratar pessoas nem sempre qualificadas apenas por amizade, seja por troca de favores ou mesmo por vaidade.

Também é comum o favorecimento na hora de escolher fornecedores, o que no setor público se caracteriza por licitações com cartas marcadas e até irregulares. Nas empresas, essas escolhas não raramente são pautadas por interesses pessoais, em que o fornecedor escolhido paga “comissões” indevidas em troca de favorecimento. Nesses casos, o compliance é igualmente indicado como instrumento de controle e de vigilância interna contra práticas de favorecimento indevido.

Lavagem de dinheiro

Outro ranking negativo em que o Brasil figura com destaque é o de lavagem de dinheiro, como apontado na já citada pesquisa da Kroll. Somos os campeões nesse quesito, com 23% dos líderes entrevistados afirmando ter presenciado esse tipo de fraude em suas empresas. A média global registrada no levantamento é de 16%.

O combate à lavagem de dinheiro demanda esforço coletivo. Junto aos setores de compliance das empresas, deve haver uma ação coordenada de órgãos públicos como as polícias, Ministério Público e o próprio Ministério da Justiça.

Isso porque o dinheiro que resulta da lavagem vem sempre de fontes criminosas. Logo, quanto mais difícil for esse processo, menos estímulo haverá para as empresas praticarem esse tipo de fraude.

Sonegação fiscal

A modalidade de fraude que mais causa danos no contexto macroeconômico é a sonegação fiscal. De acordo com o Instituto Brasileiro de Planejamento e Tributação (IBPT) e o painel Sonegômetro, só nos dez primeiros dias de 2019 haviam sido estimados, no Brasil, desvios de cerca de R$ 10 bilhões.

A carga tributária elevada e a burocracia não são desculpas, embora elas dificultem a vida das empresas. Ainda assim, com planejamento tributário, é possível colocar em prática estratégias de elisão fiscal, diminuindo consideravelmente o peso dos impostos.

Quais são os principais impactos da fraude empresarial?

A fraude empresarial, como vimos até agora, é tema de extensos estudos, pesquisas e debates. Os impactos, em alguns casos, são incomensuráveis, em especial quando chegam à opinião pública.

Mais recentemente, podemos destacar o caso das construtoras envolvidas em escândalos de corrupção junto ao governo federal. Algumas encontram-se pesadamente endividadas, em função da desvalorização das suas ações no mercado financeiro.

É evidente que a fraude nas empresas, quando se torna pública, gera estragos de elevadíssimo calibre. E se até poderosas construtoras podem se complicar, imagine o que não pode acontecer com uma PME?

Assim, a fraude pode ter grande impacto na reputação de uma marca. Afinal, empresas envolvidas em escândalos financeiros ou crimes como lavagem de dinheiro e sonegação são sempre malvistas.

Não há cliente, parceiro, fornecedor ou mesmo órgão público que se sinta confortável em fazer negócios com empresas corruptas ou que violam regras. Afinal, a fraude afeta as pessoas envolvidas tanto direta quanto indiretamente com a empresa.

Quais são as áreas com mais risco de fraude nas empresas?

Tendo em vista que uma fraude é sempre motivada por questões financeiras ou manutenção de poder/privilégios, há setores naturalmente mais expostos que outros. Neles, a Gestão de Riscos tem papel fundamental, já que garante que as diretrizes de compliance serão seguidas.

Assim sendo, as ameaças de fraude são maiores quanto mais o setor em questão lida diretamente com aspectos financeiros e com o patrimônio da empresa. São eles:

Contábil

Seja por manipulação ou falsificação de registros, no setor contábil o risco de fraude é sempre iminente quando não há controle efetivo sobre suas atividades. Afinal, um profissional contábil com más intenções pode facilmente camuflar dados e até adulterar informações sobre fluxo de caixa e capital de giro.

Fiscal

Vimos que a sonegação de tributos é um sério problema, não só para as empresas que são obrigadas a prestar contas ao fisco mas para a economia do país. Diante disso, o compliance fiscal é a vertente que cuida das questões tributárias de forma mais específica.

Seus profissionais tratam de aspectos do negócio como os custos das obrigações tributárias, riscos de não conformidade e da própria elisão fiscal. É indispensável para empresas com faturamentos mais elevados e que, por isso, possam estar sujeitas a pesadas sanções fiscais, caso sejam flagradas em crime de sonegação.

Compras e vendas

O setor de compras é igualmente sensível à fraude, em especial por ser mais exposto a práticas de favorecimento. Nesse sentido, a corrupção se materializa na alteração de pedidos de compras em quantidades, volumes e nos próprios valores.

Na esfera pública, as fraudes em compras acontecem sistematicamente em processos licitatórios viciados. Um exemplo disso são as já citadas construtoras, que no auge dos esquemas de corrupção se valiam de licitações com cartas marcadas.

TI

Embora a tecnologia seja uma aliada fundamental no combate à fraude empresarial, os setores de TI das empresas não estão imunes à ação de fraudadores. Como se trata de um setor estratégico e que cuida da gestão de dados, naturalmente pode despertar o interesse de pessoas dispostas a tirar vantagem com uso de informações da empresa.

Cobrança e crédito

A inadimplência não é uma fraude em si, mas pode motivar ações fraudulentas com base no uso de documentos falsos e clonados. Um exemplo disso é a aplicação do chamado “golpe da maquininha”.

Na ação, dois fraudadores trocam o POS, a máquina na qual o cartão para pagamento é passado. Nesse momento, a máquina adulterada passa para a loja, que debita o valor da compra na conta da pessoa que teve seus dados roubados.

Como combater o risco de fraude empresarial?

Para evitar a ameaça das fraudes, as empresas devem se cercar de medidas preventivas, afinal, um desvio consumado é prejuízo certo. Nesse aspecto, é fundamental implementar ferramentas e processos de análise de risco de crédito. O mesmo se aplica na gestão da inadimplência, afinal, acabamos de ver que ações fraudulentas podem levar a estornos e contestações.

No entanto, a iniciativa mais importante é implementar um setor de compliance. Sem profissionais dedicados a zelar pelas boas práticas empresariais e pela transparência, dificilmente uma empresa se verá livre dos riscos de fraude.

Como a Serasa Experian pode ajudar na prevenção à fraude empresarial?

Seja mantendo registros sobre inadimplência de alta credibilidade ou apoiando na emissão e renovação de certificado digital, a Serasa Experian atua na prevenção à fraude. Disponibilizamos recursos que vão da consulta ao CPF e CNPJ, passando pelo score de empresas até a recuperação de dívidas.

Temos soluções, ainda, que aumentam a credibilidade do seu negócio, como o certificado digital. Ou, se preferir, conte com a Serasa Experian para monitorar a capacidade de pagamento dos seus clientes, com a solução Gerencia Carteira.

Esperamos que este artigo sirva como referência para sua empresa ao planejar e executar ações voltadas a evitar a fraude em todas as suas modalidades. Um ambiente de negócios competitivo se faz com empresas e consumidores interagindo em segurança.

Não deixe sua empresa exposta, faça contato com a Serasa Experian e proteja seu negócio da fraude empresarial!

Publicada em 08/01/2020 - Fonte: Serasa Experian
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